Biografia de Frei Galvão

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Quando em São Paulo foi fundada sua primeira Academia de Letras, que ficou conhecida como a Academia dos Felizes, por seus dotes literários e de orador famoso, por seu amor à natureza e às letras, notadamente à poesia, Frei Galvão foi convidado a dela participar. Na segunda sessão literária, realizada em março de 1770, Frei Galvão declamou com sucesso, em latim, dezesseis peças de sua autoria, todas dedicadas a Sant’Ana, além de dois hinos, uma ode, um ritmo e doze epigramas. São composições bem metrificadas segundo as regras clássicas, e repassadas de profundo sentimento religioso e patriótico.

Umas das grandes realizações de Frei Galvão foi a construção do Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição da Luz, erguido a partir de uma capela quinhentista. A história desse convento, iniciado em 1774, viria a se confundir com a própria vida de Frei Galvão.

A obra de Frei Galvão se estende muito além da arquitetura do prédio. Ela se faz presente notadamente na orientação espiritual dada às primeiras Irmãs, e na criação do Estatuto da Ordem Concepcionista, onde “se entrelaçam o carisma franciscano e o ideal concepcionista”.

Na igreja do Mosteiro da Luz, que se localiza na atual Avenida Tiradentes, nº 676, na capital paulista, está o túmulo de Frei Galvão, aí falecido a 23 de dezembro de 1822, com fama de santidade. Esse túmulo é visitado diariamente por seus inúmeros devotos, que sobre ele deixam os pedidos e as flores de agradecimento pelas graças alcançadas.

A obra monumental edificada por Frei Galvão há mais de dois séculos continua, entretanto, a se expandir até os nossos dias, com a fundação de outros vários conventos. Em Guaratinguetá, vem de 1944 o Mosteiro da Imaculada Conceição, que até nossos dias segue despertando vocações. Localiza-se atualmente nas proximidades do Seminário Seráfico Frei Galvão, da ordem franciscana.

Em Frei Galvão, às suas inúmeras virtudes, acrescentavam-se vários dons sobrenaturais, como ocorreu com outros santos, entre eles Santo Antônio de Lisboa. Desses dons, comprovados por diversos autores, destacam-se o da ubiqüidade (era visto em mais de um lugar ao mesmo tempo); o da premonição (via e previa acontecimentos futuros), e o da levitação (elevava-se acima do solo). Deste último dom, certamente, originou-se antiga quadrinha, que a tradição popular memoriza:

Na minha aflição
Dai-me consolação
Senhor meu Frei Galvão
Que não pisais no chão

Foram dois casos de risco de vida que deram origem às Pílulas de Frei Galvão. Um foi o de uma parturiente e outro foi o de um rapaz, com cálculos nos rins. Em ambos, por não poder acudir pessoalmente aos necessitados, Frei Galvão escreveu em latim uma jaculatória, em um pequeno pedaço de papel, que enrolou e recortou em forma de pílulas, pedindo que as dessem aos doentes.

Tanto o rapaz, como a parturiente e sua criança se salvaram, daí partindo a extraordinária fama das pílulas, e a notável fé que os devotos nelas depositam.

"Pos partum, Virgo, Inviolata permanansisti! Dei Genitrix, intercede pro nobis" (Depois do parto, ó Virgem, permaneceste Intata! Mãe de Deus, rogai por nós), é o texto da jaculatória escrita por Frei Galvão no papel.

Em razão desses fatos terem envolvido inicialmente uma parturiente, e referindo-se a jaculatória ao parto da Virgem, Frei Galvão passou a ser popularmente considerado "patrono das parturientes".